O que resiste - Património vivo de Vale de Cambra
Este arquivo nasce de encontros realizados, ao longo do projeto desbravar, nas diferentes freguesias do concelho de Vale de Cambra. Não resulta de um levantamento formal nem de uma intenção de catalogação sistemática do património local. Foi-se construindo de forma gradual, a partir da presença, da escuta e da vivência do território.
Ao longo de um ano e meio foram acontecendo encontros com dezenas de pessoas detentoras de saberes — muitas vezes não reconhecidos como tal. Gestos quotidianos, práticas informais, cantigas que surgem sem ensaio, ofícios que persistem fora dos enquadramentos mais institucionalizados do património. Modos de fazer, cuidar e transformar matérias-primas com a naturalidade de quem sempre assim fez. A partir de uma escala próxima, procurou-se olhar com atenção para aquilo que continua a existir, por vezes de forma discreta, constituindo ainda assim uma marca identitária.
Os registos aqui reunidos — visuais e sonoros — correspondem a fragmentos desses encontros e achados, revelando formas de saber e de fazer que atravessam o tempo. Não pretendem representar de modo exaustivo a diversidade cultural do concelho, mas tornar visível e audível uma parte do que permanece. Resultam de um olhar situado, consciente de que qualquer arquivo implica escolha. Muito mais poderia ser incluído, dada a riqueza do território que este projeto se propôs desbravar.
“O que resiste” afirma-se como um espaço de partilha e continuidade. Um convite a explorar as diferentes dimensões deste património vivo — Saberes, Cantares e Olhares — e a descobrir, em cada uma delas, formas distintas de permanência no tempo.
Esta compilação derivou do “desbravar”, um projeto de experimentação artística, desenhado a partir de processos de mapeamento, registo e reinterpretação do património imaterial resistente no concelho de Vale de Cambra. Iniciado pela PELE em 2024, o projeto esteve inserido nos “Caminhos para a Coesão”, promovido pela Câmara Municipal de Vale de Cambra e executado pela ADRIMAG, ao abrigo do Plano de Ação das Comunidades Desfavorecidas, financiado pelo PRR.
Todos os registos visuais são de autoria de João Versos Roldão, fotógrafo que integrou a equipa artística, e que registou os vários momentos que integraram o projeto “desbravar”.


