Michele Mara
Michele Mara
01/03/1981
Curitiba, Brasil
Sou cantora, licenciada em musicoterapia, compositora, atriz e ativista negra.
Estudei teologia para ser pastora de crianças e de igreja. Fui cantora e regente de coro, enfim, fui criada para ser a pastora sucessora na igreja da minha família. Mas um dia ganhei coragem, decidi mudar a minha vida e entrei no Conservatório de Música de Curitiba para estudar canto popular. Acabei por ser afastada da igreja, porque tinha de escolher: ou cantava na igreja ou cantava para o mundo… Escolhi o mundo.
Estudei musicoterapia na faculdade porque queria tratar de mulheres negras vítimas de violência doméstica e ajudar nos processos de luto, fiz a primeira pesquisa no mundo sobre os sentimentos que as mulheres negras expressam em atividades de musicoterapia.
Não sou uma mulher do movimento negro, mas sou uma mulher negra em movimento…
(...)
Eu trago a minha ancestralidade, a minha história, a minha vida, a minha arte. Trago a boca aberta para falar, trago o não se calar, a luta por justiça, por reparação, a luta contra a xenofobia, contra o machismo e pela vontade de mudança. Não posso mais ser uma wikipreta, as pessoas têm de se esforçar para aprender, não estamos aqui para ensinar, estamos aqui para combater…
É isso que eu trago: combate, a luta e a minha vida para ajudar quem quer que seja.
Sou uma mulherista africana assente em três pilares: raça, classe e género, com a mulher no centro de tudo. É o Matriarcado.
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O Porto é muito especial porque aqui (re)começa a minha carreira enquanto artista e empreendedora.
Tinha um monte de brincos e colares feitos com cartão e tecido africano, que comecei a fazer durante a pandemia e que precisava de vender, e foi assim que surgiu a ideia de organizar a primeira Feira de Afroempreendedores no Porto, em 2021. A partir daí fiz novos contactos que me levaram a participar em musicais e integrar a primeira ópera crioula portuguesa, “Adilson”, da autoria do Dino d’ Santiago.
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Desejo envelhecer com saúde, com qualidade de vida. Continuar a trabalhar e dar condições aos meus filhos, não ficar a contar as moedas no final do mês. Fazer mais teatro musical, talvez cinema, viajar, gravar o meu disco…