Marlene Pacheco
Marlene Pacheco
03/01/ 1951
Florianópolis, Brasil
Nasci no circo e aos 7 anos os meus pais decidiram deixar o circo para os filhos poderem estudar. Não havia emprego para o meu pai, por isso a vida era muito difícil. Vivíamos numa barraca, num pedacinho de terreno ocupado. Passámos fome.
Sou professora e nasci para ser professora! Quando me aposentei de administrativa dei aulas até ao dia em que me disseram que já não estava autorizada a lecionar. A escola e os alunos eram a minha alegria e vida!
Foi nesse momento que decidi vir para Portugal com a minha neta, aos 72 anos. Aqui, entrar para a associação Portuando fez-me dar ainda mais atenção aos problemas sociais e ser mais ativa na luta. Atualmente dou aulas de inglês a imigrantes a um preço social. Ser mulher imigrante fez-me mais desperta, mais presente, mais ativa.
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Tenho uma vontade enorme de participar, de estar presente e de viver intensamente a cidade do Porto. Na Portuando apoio os imigrantes brasileiros que chegam, já em casa, abro espaço para partilhar conhecimento e oferecer as minhas aulas de inglês a um preço social, porque ensinar também é a minha razão de viver.
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Apaixonei-me pela cidade, pelos transportes públicos, pela oferta cultural, pelas pessoas. Apaixonei-me por tudo! Parecia que me tinham largado no lugar certo, senti-me em casa e segura. As parecenças com Florianópolis fizeram-me sentir uma ligação a este lugar. Aqui e agora, faço o que gosto e moro onde me sinto em casa, mesmo sendo um quarto…
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O arrendamento é um grande desafio para mim e para todos. Atualmente vivo num quarto, o que ganho de reforma quase só cobre o alojamento.
Preocupa-me a forma desumana como alguns serviços tratam as pessoas, ainda para mais na condição frágil e vulnerável de imigrante.
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Desejo continuar a minha V.IDA movendo-me pela cidade e aproveitando as oportunidades que ela me dá! Sinto que eu posso ter uma grande IDA! O V é cheio de voltinhas mas depois quando se entra na IIIIIIDA, é aproveitar a viagem.
Vinda do circo, não podia deixar de participar em algumas iniciativas de teatro aqui no Porto. Ainda quero ganhar o Óscar de Melhor Atriz em 2050.