Julieta Fuxi Alexandre Vaz
Julieta Fuxi Alexandre Vaz
06/06/1993
Cacuso, Malanje, Angola
O meu nome foi-me dado pelo meu pai. O nome “Fuxi”, na minha língua materna, significa “fonte” ou “poder”, e, quando não é “nome de família”, é o nome dado às pessoas que nasceram depois de gémeos na cultura ambundo. Nasci em Malanje, uma província do centro-norte de Angola. Sempre tive uma vida muito itinerante, não só porque nasci num contexto de guerra e fuga, mas porque desde muito cedo acreditei que a realização dos meus sonhos estava além do lugar onde nasci. O meu pai foi morto durante a guerra. Eu não sei bem de onde sou, sempre me vi como cidadã do mundo.
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O Porto ganha muito por ter pessoas que, por virem de contextos diferentes, são capazes de ler a realidade para além do que a maioria conhece. Eu vim de um lugar marginalizado e estou a trabalhar com pessoas marginalizadas, que me permite atuar a partir do meu espaço de fala e me dá alguma vantagem em relação às pessoas que trabalham comigo. Se eu estiver a falar de/com/sobre imigrantes, consigo compreender as suas necessidades e sentimento que eles expressam, devido à condição de imigrante. Com pessoas africanas, tenho a sensibilidade cultural para interagir ou intervir sem o receio do preconceito ou do racismo mas também sem a colonialidade que permeia muitas vezes os discursos e práticas sociais.. Essa sensibilidade estende-se a outros grupos étnico-culturais, como por exemplo a etnia cigana. Ou seja, por conseguir posicionar-me em diferentes lugares de fala, acrescento uma mais-valia à intervenção comunitária, contribuindo para respostas mais ajustadas, inclusivas e eficazes que resultem em maior justiça e coesão social.
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Gosto das pessoas do Porto porque falam demais. No Porto, é como se estivesse em casa porque no meu país toda a gente fala com toda a gente. Quando me perco e me aproximo de alguém para me ajudarem ou orientar-me, se podem, acompanham-me até ao sítio onde tenho de ir, o meu povo também é assim.
Do Porto, além das pessoas, também sou muito fã da francesinha, tanto que faz parte do meu ritual alimentar mensal. Se fico um mês sem comer, é como se faltasse alguma coisa.
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Quero ser ministra da Ação Social, Família e Igualdade de Género no meu país. É por isso que estou numa equipa de intervenção comunitária e estou a fazer o meu doutoramento. Quero trabalhar em Ação Social porque venho de um país muito rico, mas o nível de desigualdades e vulnerabilidade social é muito grande.