Daria Yeremenko
Daria Yeremenko
02/01/1994
Svitlovodsk, Ucrânia
Nasci numa pequena cidade da Ucrânia: um lugar de luz e de água. Mais tarde, mudei-me para Kyiv. Não foi uma decisão guiada por uma estratégia profissional nem por um objetivo claramente definido. Fui porque alguém importante para mim vivia lá e eu queria estar por perto. Naquele momento, eu não tinha um rumo próprio, e isso também faz parte da minha história.
A saída da Ucrânia não foi uma escolha. Parti no segundo dia da guerra. Levava comigo apenas uma mochila, com as coisas menos adequadas. Estava convencida de que regressaria rapidamente e, por isso, não levei a minha roupa favorita, pensando que apenas se estragaria nos abrigos e durante o percurso.
A minha forma de presença no mundo é a performance. Trabalho como bailarina, coreógrafa e pedagoga. Interessa-me criar situações em que surgem atenção, contacto e ação partilhada.
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Ao Porto levo o movimento como uma forma de agir, de iniciar processos e de entrar em interação. A colaboração e a construção de vínculos com presença real são centrais para mim.
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Quando cheguei ao aeroporto do Porto, um amigo que eu mal conhecia, o Roma, trouxe-me água. Nesse gesto reconheci uma forma estranha de cuidado, mínima e, ao mesmo tempo, máxima.
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A comunicação é o maior desafio que enfrento. Não pela língua enquanto sistema, mas pelos significados, palavras e gestos que transportam códigos que ainda estou a aprender a decifrar. Essa desadequação de ritmos cria, por vezes, uma sensação de distanciamento, como se eu me movesse ao lado, mas não dentro do tempo comum.
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Quero ser agente de movimento. Hoje vejo esse caminho na criação da minha própria companhia de dança, um espaço de trabalho partilhado e de responsabilidade, porque um trabalho deste tipo não existe em isolamento.